Sábado, Julho 11, 2009

CRACOLÂNDIA X SARNEYLÂNDIA

Assim como em várias cidades brasileiras existe a cracolândia, em Brasília (pobre cidade tomada pelo crime muito bem organizado e engravatado), há a sarneylândia. Tanto uma como outra, perigosas, formadas por pessoas desqualificadas que vivem à margem da vida real, estupidificadas por drogas igualmente nefastas. Para o cidadão "comum", vítima de ambas as lands, restam a indignação, o medo e a impotência.

Na cracolândia, as pessoas são mais honestas. Assumem sua condição de marginais (mesmo porque não têm alternativa) e desvelam a violência inerente às suas necessidades e ao seu estado, em atos e palavras. Andrajosos e malcheirosos, vivem de si para a droga e nada mais importa. São seres estranhos e sem identidade, afastados da sociedade que, em vista de leis ideologicamente desastrosas, pouco pode fazer por eles, muito menos salvá-los de si mesmos. Outro dia, um deles perguntado por sua família, respondeu: "Família? Que família? Eu estou morto há quinze anos", tempo em que se tornou usuário do fatal crack.

Na sarneylândia é diferente, apesar de igualmente funesto. Com uma ou duas exceções, as pessoas são desonestas, falsas, mentirosas, cínicas. Arrogam-se de defensores da democracia enquanto se utilizam de suas instituições para criar uma legislação autocomplacente (não sei mais escrever isso) que as auxilia na rapinagem, defende-as nas falcatruas e as protege de qualquer punição. A violência decorrente das ações destas pessoas é dispersa na vida de todos os cidadãos de forma mais cruel e ruinosa, pois é provocada pelo pior entorpecente: a sede de poder e a ganância sobre o alheio.

Na sarneylândia, os seres também são estranhos, porém identificáveis e identificados (apesar de existir fantasmas e “secretas”). Sua estranheza está relacionada à tendência à rapinagem dos cofres públicos em proveito próprio, no que são apoiados pelo líder do país sempre que seja do interesse deste, como bem lembrou a revista The Economist.

Enfatuados e elegantes ou ridículos, os integrantes da sarneylândia frequentam os melhores ambientes (e também os piores), viajam a cidades da moda, como Veneza (muitas vezes, usando o dinheiro público) e sabem tudo de si. Sua consciência é ampla (mas não limpa), principalmente no que diz respeito aos privilégios, às mamatas, às falcatruas aparentemente legais e verdadeiramente imorais a que se acostumaram durante o período em que vivem neste universo que, tal como a cracolândia, é infecto, sinistro e criminoso.

Quanto à família, a sarneylândia é o oposto extremo da cracolândia. Naquela, a família é tudo. A família é imprescindível ao “projeto” dos seus integrantes. É a família que ocupa os cargos, que viaja com passagens pagas pelo erário, que empresta o nome para empresas fantasmas, que guarda dinheiro em casa; enfim, é a família que usa e abusa do que é público como se fosse patrimônio particular. Por isso, muitos comparam a sarneylândia, ora aos redutos coronelistas comuns no século XIX, ora à máfia italiana.

Entre estes dois maléficos redutos, o povo, este eterno e conformado otário vai sendo roubado e violentado mais por um que pelo outro. Escolha o pior, apesar de não termos escolha nenhuma diante de tantos viciados.

P.S.: O termo "sarneylândia" foi retirado de um excelente texto que recebi por email e que pode ser lido aqui.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

O PARLAMENTO OU A CANALHA?

Quando se trata dos escândalos no parlamento, nós, as pessoas "comuns", precisamos ser tão peremptórios como o defensor dos ditadores e dos canalhas. Temos que exigir o fim da "crise" do congresso nacional (e não apenas do senado): crise de falta de vergonha, crise de imoralidade, crise de desonra, crise de roubalheira (secreta ou descarada) dos impostos que pagamos para sustentar uma enodoada, corrupta e desonesta corte.

Não basta retirar dos cargos um ou outro burocrata, que permanecerá na casa da vergonha nacional, mandando, aliás, desmandando com nosso dinheiro. O homem "comum" brasileiro precisa bradar: "Fora Sarney e seu bando de vampiros"; "Fora mesa diretora e seus cúmplices".

Por sua vez, a câmara dos deputados, este malcheiroso mercado, cometeu o desplante de gastar R$150 mil do nosso dinheiro para comprar uma falsa legitimidade para os atos dos deputados viajantes e vendedores de cotas de passagens pagas com o dinheiro do povo. E o presidente da câmara ainda aparece na mídia enfatuando-se, como se mais esta afronta fosse correta e honrosa! Cínicos, desavergonhados!

No Brasil, o maior risco para a democracia não é a mídia (como gosta de enfatizar o líder, a cada denúncia divulgada). As excelências, elas sim, representam um risco para a democracia. Sempre que acuadas, escondem-se atrás da instituição que integram, como Sarney ao afirmar que a crise não é dele e sim do senado. Ora, estes indivíduos são perigosos e, com sua condura imoral, estão degradando o parlamento, afastando-o do cidadão e minando sua representatividade. Chegou a hora de escolher: ou o parlamento, fautor máximo do regime democrático, ou estes tipos vergonhosos que o enlameiam e fragilizam.

Se não houver punição exemplar (o mais provável) para toda excelência envolvida nesta vergonhosa rotina de assalto ao erário, será confirmado o juízo que a população faz do poder legislativo. Este juízo (espero) se fará sentir nas urnas. É esperar para ver.

Sábado, Junho 06, 2009

CADA PAÍS TEM O GOVERNO QUE MERECE (1)

Os dramas recentes da Inglaterra e da França e Brasil (estes, trágicos) estão nos proporcionando uma didática base comparativa entre os respectivos governos (ou desgovernos). No caso do Brasil, servem ao menos para reforçar o que já sabemos sobre a diferença entre aqueles cuja atuação é voltada para o cidadão e aqueles que só agem em função do seu projeto político pessoal em tudo divorciado dos interesses do país.

Em referência à tragédia do acidente aéreo que vitimou tantos franceses, brasileiros e, em menor número, pessoas de outras nacionalidades, o comportamento das autoridades francesas foi um exemplo de como um governo deve agir, permanecendo ao lado dos seus cidadãos no momento da maior dor, acolhendo seu desespero para minimizá-lo no que for possível, protegendo-os com seriedade, organização e sensibilidade.

Os racionais podem alegar, talvez com acerto, que a França apenas cumpriu sua obrigação uma vez que o avião que caiu pertencia a uma empresa francesa transportando franceses a Paris. Porém, sabemos bem que muitos governos não cumprem nunca suas obrigações para com seus cidadãos. E como sabemos! Neste caso, entretanto, é cabível afirmar que não ocorreu mero cumprimento de obrigações e sim, o estabelecimento de humana e grande rede de acolhimento e proteção que, envolvendo inclusive o presidente da república, transcendeu a mera burocracia exigida nestes momentos, tudo em respeito à dor das famílias vitimadas com a perda inelutável.

E aqui?

Aqui, o presidente que passeava pela América Latina, passeando continuou enquanto um corajoso e depauperado vice obrigava-se a enfrentar o momento dramático das famílias enlutadas, desafiando suas próprias e escassas forças. Eu pergunto: é humano, é justo abusar assim da saúde de Alencar e, ao mesmo tempo, demonstrar o desinteresse pelos brasileiros em hora da dor maior? Por que o presidente não veio? Seria porque as vítimas são da "elite"? Seria porque, para ele, mais importa paparicar fãs estrangeiros (como o guatemalteco ou o salvadorenho recém-eleito) que confortar os cidadãos que jurou representar e proteger? A ausência do presidente até no ato ecumênico depois realizado parece responder a estas questões.

Quanto à rede de proteção, ahahahah. Apreceu o ministro da defesa com aquela roupa ridícula e as confusões que sempre o caracterizam, que ecoaram na mídia estrangeira de forma constrangedora para o Brasil. Rede... só rindo mesmo, apesar de ser mais apropriado chorar.

A conduta burocrática e forçada da cúpula governamental brasileira, em especial do presidente da república diante desta tragédia que vitimou tantos cidadãos traz à memória o famigerado top-top do Marco Aurélio Garcia quando do acidente da TAM, prova irretorquível de que para o governo, os cidadãos, vítimas ou não estão em último lugar em sua lista de prioridades (a não ser, é claro, que sejam cidadãos que possam beneficiá-la de alguma forma).

Se o "líder" não fosse tão arrogante, acredito que a atitude de Sarkozy e seus ministros poderia ter servido de exemplo. Mas, este daqui, que se considera um semideus não quer se mirar em nenhum espelho a não ser aqueles que servilmente refletem e ecoam (como no conto de fadas) sua pretensa onisciência.

Terça-feira, Junho 02, 2009

CONVITE


BLOGAGEM COLETIVA


Convido-os a refletir sobre o tema das drogas e vir discutir conosco sobre causas, consequências, dar sugestões, etc.

A blogagem foi proposta por nossa amiga BEA (CD) que assim introduziu o assunto:

"Dia 26 de junho é a data escolhida pela ONU, através do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), para enfatizar a Campanha Internacional de Prevenção às Drogas.


Nesta data, em Viena, é lançado o Relatório Mundial de Drogas contendo informações atualizadas do mundo todo sobre consumo, produção e tráfico de drogas."


Para participar veja as instruções aqui.

Conto com todos.
Obrigada.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

CPI SIM. POR QUE NÃO?

Sempre que surge uma nova CPI e o governo se empenha acirradamente para invibializá-la, fica-se com a impressão de que ele tenta esconder algo muito grave.

No caso da Petrobrás, muito se fala sobre a farra de patrocínios (muitos deles de corar defunto) e do inchaço das diretorias e chefias para abrigar os companheiros e outros afins.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, atualmente há, na presidência da organização, 67 diretores. O jornal exemplifica com a Secretaria de Comunicação Social, afirmando que, desde 2003, este órgão aumentou de 2 para 12 diretorias.

Por outro lado, sempre há alterações nos ministérios ligados à área de energia, são trocados os nomes das diretorias mais importantes, destinando-se seus cargos a algum apaniguado do governo (ou deveria dizer cúmplice?). Foi o que se deu, por exemplo, para acomodar aliados do governo (?) na luta pela prorrogação da CPMF ou quando Edison Lobão assumiu o Ministério das Minas e Energia.

Portanto, ao falar em irresponsabilidade, Luiz Inácio está enxergando um cisco no olho alheio e age com cinismo contumaz.

Quem será irresponsável, senão aquele que coloca os seus interesses políticos em primeiro plano, ao transformar a empresa (uma das maiores do mundo) em locus de benesses para seus vassalos?

Quem é o irresponsável senão aquele que só se preocupa com os acionistas e com a imagem internacional da Petrobrás quando o congresso nacional, finalmente fazendo algo de útil, procura justamente descobrir o que anda acontecendo lá dentro da empresa?

A Petrobrás deveria ser tratada com a medida de sua própria grandeza e importância e não ver seus cargos distribuídos em lances de politicalha, através da indicação de nomes sem qualificação técnica para suas diretorias.

Além do mais, os brasileiros têm o direito de saber, porque a empresa não é do PT ou seus aliados e sim dos seus acionistas, entre eles, o povo brasileiro que também a sustenta.

Quarta-feira, Abril 15, 2009

O CINISMO NO AR... VIAJANDO


Viaje, Fabio Faria, viaje. Nós pagamos. Leve a "companheira", a sogra e algum cachorrinho de estimação. Leve os vestidinhos da namorada. Nós pagamos. Afinal, ela é companheira e nós, os cidadãos brasileiros, sem direito à segurança, à saúde, e à educação, pagamos tudo para os companheiros.

Nós, os cidadãos extorquidos por meio de impostos indecentes, já estamos adestrados, domados para abrir o bolso e pagar as passagens de todo tipo de companheiros sempre que estes viajam "no exercício do mandato". Não vê a Marisa Letícia? Pagamos suas viagens todas as vezes em que ela sai para exercitar o mandato.

A mãe da celebridade, a Sra. Galisteu, não deve se preocupar. Estamos acostumados a pagar viagens para as sogras também. Você deve se lembrar do caso daquele governador Cid Gomes. Afinal, o povo brasileiro sabe que tudo é família e que deve sempre admirar alguém que cuida tão bem da família. Se for com dinheiro público, o que tem isso de errado? Somos treinados para pagar.

Porém deputado, o que não se pode negar é a inclusão da linda companheira na confraria do eu-não-sei-de-nada, gloriosamente presidida por Luiz Inácio Lula da Silva.

Você também, deputado Fabio Faria, provavelmente integra a confraria e, juntamente com todos os "companheiros" beneficiados pelas viagens custeadas com dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos, não deve saber que existe uma lei que regulamenta as punições para "os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração", na qual este abuso se insere perfeitamente.

Infelizmente, sabemos muito bem que ninguém será punido, muito menos você, deputado-namorado-genro-benfeitor que usa dinheiro alheio para incrementar romances e o próprio bolso.

Vocês da confraria não sabem, por exemplo, que aqui no meu estado, em uma cidade chamada Porangatu, mais de 50 crianças só tiveram 15 (quinze) dias de aula neste ano porque moram na zona rural e não existe um ônibus para levá-las à escola. Vocês não sabem também que milhares de pessoas estão na fila daquele programa do Gugu Luberato chamado "de volta pra casa" (ou algo assim) porque não têm dinheiro suficiente para levá-las de São Paulo a suas cidades de origem, inclusive no interior do Rio Grande do Norte, representado (?) na casa de horrores por você, apaixonado e finório Fabio Faria.

Nós, os brasileiros, como não pertencemos à confraria, sabemos (e pagamos). Hoje, por exemplo, vimos como viajam os trabalhadores nos trens do Rio, não sem antes, ser chicoteados por agentes de segurança.

Viaje, deputado. Nós, os palhaços, pagamos. Afinal, você deve ser um inválido que, para viver, precisa não só dos votos, mas também do dinheiro dos cidadãos.

Segunda-feira, Março 30, 2009

A BOTINA DE LULA

Luiz Inácio, o racista, reinstituiu o antigo costume da botina eleitoral, dada ao eleitor antes do voto, mas apenas um pé. Se o candidato ganhasse a eleição, entregaria o outro.

Explico.

Como o pac continua empacado, o presidente da república inventou o plano de moradia prometendo entregar UM MILHÃO de residências. Só para dar um parâmetro, em Goiás, Iris Rezende precisou de dois mandatos como governador para entregar 10 mil moradias. E nem havia crise!

Portanto, a promessa de Luiz Inácio, como sempre, não passa de... promessa. Isto não seria novidade, porém o salvador dos pobres do mundo, não dá ponto sem nó. Ao perceber a impossibilidade de execução deste plano (ele não sabia), culpou as "dificuldades brasileiras" para adiar sine die a conclusão do plano. É aí que está a botina (ou um pé dela).

Claro que este adiamento será usado como moeda de troca (eufemismo para chantagem eleitoral) durante as eleições, isto é, se o povo não votar na mamãe pac, nada de casinha para morar. Espere e verá.

Este é o político moderno que nos governa (?) e que anda pelo mundo (às nossas custas) querendo orientar os verdadeiros governantes.