ÉTICA?

"Removida a justiça, o que são os reinos senão um bando de ladrões?"
(Santo Agostinho)

A origem da palavra ética vem do grego “ethos”, que quer dizer o modo de ser, o caráter. Aristóteles, que introduziu o termo na filosofia ocidental, julgava que a existência do "ethos" é evidente, manifestando-se na natureza e na ação humana: os hábitos, os costumes e as instituições.

O ser humano, no momento da ação, no momento de exercer sua liberdade na sociedade humana e na relação com os outros, pergunta-se (ou deveria se perguntar): “Isso é bom? É lícito?” no sentido de não trazer o mal para si ou para sua comunidade.

Porém, vivemos em uma época marcada pelo individualismo, na qual o ser humano se volta para seu próprio mundo e seu projeto pessoal, isolando seus atos das conseqüências que deles advirão.

Vivemos a época da ética individual no sentido de que cada um argumenta ter sua “ética própria” diferenciando-a do restante da comunidade, como se isso fosse possível sem destruir a própria sociedade. Chegamos ao cúmulo de aceitar a existência da “ética do crime”, a “ética dos políticos”, a “ética da Igreja”, etc., etc.

Dessa desagregação ilusória, creio que advém a intensa crise que enfrentamos neste país, onde indivíduos cujo “ethos” vai de encontro a todas as idealizações sociais de honestidade e justiça representam os cidadãos. Indivíduos cujo caráter se revela cada dia mais esgarçado, esburacado, desmoralizado.

Eu pergunto: é possível construir uma ética social sólida sem uma ética pessoal adequada? Eu respondo: não, não é.

Por isso, a crise ética da nossa sociedade se concretiza na falta de honestidade, na corrupção, no abuso do poder, na exploração institucionalizada, na violência, na deformação das consciências, por meio da alienação.

Por isso, a permanência no poder (por meio do voto, comprado ou não) de políticos profissionais cujos interesses estão a anos-luz da vontade e das necessidades dos eleitores, mesmo que demonstrem pouca ou nenhuma transparência em suas atitudes e se envolvam sistematicamente na corrupção e no abuso de poder.

A recuperação da ética social, do orgulho ético e da moralidade pública e a superação da crise brasileira estão condicionadas à moralização dos políticos, à escolha de verdadeiros "homens de Estado" e não "negociantes do poder", profissionais abjetos envolvidos em jogadas pessoais, onde se misturam, de maneira indecente, a res pública e os negócios privados.

Restabelecer a ética na política é tarefa de todos os cidadãos. Hercúlea, porém urgente.


Este texto integra humildemente a blogagem coletiva sugerida pela Laura , essa brasileira exemplar.

11 comentários:

José Alberto Mostardinha disse...

Olá Saramar:

'Certo dia, a Ética desceu do Olimpo sob a forma de uma linda mulher e dirigiu-se a um reino poderoso.
Todos, ao vê-la à distância, ficaram maravilhados, mas à medida que se aproximava fechavam-lhe as portas.
A Ética tentava comunicar mas em vão: ninguém queria defrontar-se com ela. Bastava a sua visão longíqua.

Finalmente, acabrunhada, ao retirar-se encontrou a Verdade, que se espantou com a sua profunda tristeza e conversaram.

- Que foi minha irmã? Que te magoou?

- Cheguei em missão de paz, mas ninguém quis receber-me - disse a Ética, não entendendo as razões porque foi rejeitada.

- Olha-me de frente! - disse-lhe a Verdade.
Ninguém, nem mesmo tu, foi capaz de perceber. Nós somos como espelhos.
As pessoas têm medo de se verem refletidas.
'

Um beijo,

Zé Carlos disse...

Minha querida amiga... obrigado pela linda visita...
Desejo a você uma semana abençoada e que o Pai ajude o povo brasileiro sair desta enroscada em que se meteu.
Obrigado do fundo do coração por você ser tão atuante e pela força que faz para clarear os olhos de nosso povo....
Bjs do seu amigo, ZC

Kafé Roceiro disse...

Tô dentro e concordo plenamente...

Antonio (Tavola Redonda) disse...

Concordo com a idéia de uma ética pessoal como base para o expansionismo de valores éticos sólidos e retos por toda a comunidade. O grande dilema do brasileiro é que ele se acostumou a ver certos desvios como sinais de inteligencia e astucia.
Está em nosso sangue e demorará décadas de muita democracia, voto e participação cidadã para que possamos falar de forma mais concreta sobre tais assuntos... no momento é tudo ilusão: elegeremos um Nixon, com um "watergate" pior do que o americano e aguantaremos calados mais quatro anos... gostaria de acreditar que pode ser diferente. Faço a minha parte porque sou um sonhador... mas até mesmo a fé está faltando nesse país de governantes/mafiosos.
Gostei do texto.
Bjos

Stella disse...

a pessoa simples pode não saber o que é ética, mas sempre soube o que era ser honrada, e isto já está se perdendo nessa falta de ética generalizada

Anônimo disse...

Saramar,
Saudosismo!
Voltaremos excepcionalmente no euodeiolula com um post eleitoral, quiçá, tenhamos outro no segundo turno...
Quem é vivo sempre aparece, claro, que será apenas neste momento, não pretendo voltar de mala e cuia à blogosfera. Gostei apenas de espiar.
Tudo de bom!
Carlos, Excepcionalmente de volta ao euodeiolula.blig.ig.com.br

P.S: Desculpe-me a mensagem padrão...

Blogue da Magui disse...

parabéns.excelente nálise.concordo inteiramente.

gugala disse...

você está humildemente totalmente certética. bj

Lino Resende disse...

Muito bem dito. Subscrevo e assino embaixo.

Ricardo Rayol disse...

Saramar, texto muito maneiro, mas essa blogagem coletiva, apesar de adriri, o fiz mediante minhas próprias considerações a respeito dessa raça inonimável chamada políticos.

Zeca disse...

Saramar,

perfeito o texto preparado para a blogagem coletiva! Parabéns!
Infelizmente estou cada vez mais convencido de que seremos obrigados a aturar por mais quatro anos essa corja que se apossou do poder, mas estamos fazendo a nossa parte e devemos continuar nesta cruzada de conscientização para que, no futuro, as pessoas pensem melhor antes de votar e, após eleger o seu candidato, saibam sempre em quem votaram para fiscalizá-lo e cobrá-lo quando não cumprir o que deveria. Precisamos iniciar uma campanha junto às escolas, para que as crianças comecem desde cedo a conhecer ética, honestidade, respeito e comprometimento. Hoje, com grande parte do povo atrelada às bolsas esmolas, quem poderá condená-los por votarem em quem (aos seus estômagos não importa como), colocou uma fatia de pão sobre a sua mesa? Agora, resta-nos fiscalizar os nossos candidatos que forem eleitos e - por quê não? - o apedeuta mor que deverá permanecer na presidência. E cobrá-los. Sem dó nem vergonha. Apenas como cidadãos.

Beijos, minha querida.