POLÍTICA E CORRUPÇÃO


..."fingir ignorar o que se sabe e saber o que se ignora,
entender o que não se compreende
e não escutar o que se ouve;
sobretudo, poder acima de suas forças;
ter frequentemente como grande segredo
o esconder que não se tem segredos;
fechar-se num quarto a conspirar,
e parecer profundo quando se é apenas,
como se diz, oco e superficial;
desempenhar bem ou mal um papel;
espalhar espiões e pagar pensões a traidores;
amolecer sinetes, interceptar cartas
e procurar enobrecer a pobreza dos meios
pela importância dos objetivos:
eis toda a política, ou então ?..."

Trecho de "Palavras de Figaro" de Beuamarchais


Outro dia falei que em países orientais, os corruptos, quando descobertos, matam-se. Logo depois, dois políticos se mataram por suspeitas de envolvimento com a corrupção. Aqui, enquanto isso, os suspeitos se enrolam em teia de mentiras facilmente descobertas (já é comum, basta se lembrar do mensalão) e, mais grave, tecem em torno de sua conduta uma rede de proteção clara, visível, imoral, ofensiva, talvez até delituosa por se aliar à prática corrupta e protegê-la das consequeências a que estaria sujeita.

A política precisa ser mesmo esta ação entre amigos para privilégio da impunidade?

Políticos corruptos sempre existiram e em todos os lugares, mas atingiu níveis nunca vistos na história deste país, quase perfeito, onde se mente hoje, amanhã se desmente, depois volta tudo, depois prova, comprova, filma, grava, mostra e... nada, NADA.

Enquanto isso, os criminosos vão fazendo e acontecendo no país. Tem de tudo, desde criminoso sofisticado que monta redes de corrupção, até pés-de-chinelo, implorando a corruptos por um dinheirinho. Todos cobertos pela boa vontade institucional, pelos "direitos humanos", pelos foros privilegiados, pela mídia dependente de verbas governamentais, etc.

Política é isso? É aviltar o país, transformando-o em capacho de loucos irresponsáveis? É governar com palavras vazias enquanto as instituições são varridas pela imoralidade? É fingir, enganar, mentir, acobertar? É legislar em causa própria? É ir de encontro à vontade do povo, valendo-se de sua inércia alienada?

Onde os estadistas? Onde os homens realmente públicos? Onde a vergonha, a honra, o brio? Certamente, não os encontraremos aqui, neste país, onde política é sinônimo de "se dar bem", de se locupletar. Não aqui.

E, como é aqui que trabalhamos, criamos nossos filhos, sob as asas da dignidade e da honra. É aqui que deixamos nosso labor e nossas esperanças. Por isso, temos que reagir e salvar nosso país desta doença que o está atacando mortalmente. Temos que exigir que os corruptos de qualquer nível sejam expulsos do governo, julgados e punidos exemplarmente.

Calados, somos tão cúmplices quanto os poderosos protetores dos que nos roubam à luz do dia.

7 comentários:

CAntonio disse...

Saramar,

Impossível imarginar-se que dentre os seiscentose tantos parlamentares não exista, digamos uns 100 honestos. O grande problema é que essa centena (se existir) não se manifesta, não bate o pé, não grita. É preciso incentivar essa minoria honesta a botar a boca no trombone. O problema é sabermos que são eles.

Creia, está cada vez mais difícil encarar esse arremedo de país. Até no Iraque existe uma esperança de dias melhores, por aqui a coisa não é bem assim....

Bjusmil e bom fim de semana.

Stella disse...

Sara, poucos são aqueles que conseguem gritar, e quando o fazem são calados pela maioria omissa e corrupta

Moita disse...

Sarita

Não sei no que você é melhor; se falando de política e assuntos gerais ou fazendo poesia. Porem simplificando; você é boa em tudo.

Uma porrada de cheiros

Ricardo Rayol disse...

Uai saramita, mas aqui também quando pegos com a mão na massa os políticos matam, a gente de raiva.

Fábio Max Marschner Mayer disse...

O problema é que, pegos com a mão na massa, os políticos limitam-se a fazer uma nuvem de poeira e esperar o próximo escândalo que os tire da mídia, único órgão julgador deste país, onde o Judiciário lerdo, culpa de juizes ou venais ou despreparados, deixa os prazos prescricionais correrem soltos em favor da escumalha.

Saramar, acredite, sempre escrevo isso e vou repetir:

No Brasil, para virar juiz só existem dois meios: um é estudar até virar uma enciclopédia e ao mesmo tempo perder qualquer senso de realidade e ficar incapacitado de analisar questões reais, de nada adianta ser uma enciclopédia e não ter sensibilidade para diferenciar as prioridades da vida real. Outro, é buscando o favor político em algum tribunal (é estranho, tem tribunais no Brasil onde 3 ou 4 gerações da mesma família judicam).

O Brasil só vai melhorar quando o Judiciário funcionar e for rápido. E isso independe de mudar as leis ou diminuir o número de recursos, depende muito mais de recursos humanos que de intervenções institucionais.

alexandre, the great disse...

Saramar.
A prova que nem tudo está perdido é que vc existe e não se cala diante de tamanha perfídia.

Tenho orgulho em pertencer a esta minoria que resolveu "chutar o balde".

Beijo,

Alexandre, The Great

Glênio Gangorra disse...

Enquanto os liberticidas reacionários continuarem a circular livremente por esse país tão belo e impoluto nós, militantes engajados de esquerda, continuaremos a noss luta pela vitória do movimento bolivariano. Viva Fidel, abaixo o STF, Viva Vivi.