UMA MENSAGEM PARA OLHOS CEGOS E OUVIDOS SURDOS


um texto de Antonio Brás Constante

Caros senhores políticos. Quantos de vocês vêm demonstrando ser tão caros em seus salários, no valor de suas propinas, em suas roupas de grife e belos carros. Mas, ao mesmo tempo tão pobres em suas preocupações e decisões em prol daqueles que votaram nos distintos cavalheiros, carrascos, cafajestes, calhordas, que quando vem a lhes calhar (leia-se: “se safar”), agem como excelentíssimos Calheiros...

Quantas pessoas suas atitudes já mataram este mês? Esta semana? Neste dia? Não diretamente, pois suas mãos bem cuidadas apenas embolsam verbas arrecadadas, ficando todo sangue e dor subentendidos em suas podres ações sem traços de pudor. A contabilidade das mortes pode ser calculada nas vidas perdidas pela falta de investimentos em saúde, segurança, ou mesmo por comida.

Assassinos com função definida. Investidos como senadores. Conhecidos como deputados. Chamados de vereadores. Desfilando como prefeitos, presidentes ou ex-presidentes, quer seja do País ou do senado. Homens com títulos de governadores entre tantos outros nomes de cargos. Matando os seus patrões (pobre e esquecido povo), que são atraídos por suas mentiras e traídos pela ganância de quem se vende por milhares de dólares ou até por meros trocados. Mas a pior palhaçada é que lá em Brasília, ou ali na prefeitura da esquina, vocês ainda têm coragem de falar em decoro (nos seus discursos decorados), enquanto a população, ao invés de rir desta piada sem graça, apenas brada em coro: “Queremos um pouco de decência”, ou simplesmente: “SOCORRO!”.

Se não puderem atender a este clamor devido a sua falta de caráter, ao menos façam pelas pessoas que padecem pela falta de remédios e atendimento em hospitais, que faltam justamente por vocês terem superfaturado as verbas destinadas à saúde, comprando ambulâncias a troco de limusines. Ou então lembrem que os senhores já foram meninos e façam alguma coisa pelas inúmeras crianças que trabalham como escravas, que sofrem caladas, maltratadas e abusadas de formas tão brutais. Ao menos olhem uma vez que seja na direção delas, quem sabe a luz que brilha já tão fraca naqueles olhinhos sofridos não desperte um pouco de compaixão aos senhores de terno e gravata, que arrotaram tantas mentiras e bravatas na conquista de seu cargo atual. Silenciem o tilintar de suas taças de cristal e escutem as vozes infantis já tão fracas que imploram por ajuda social.

Saiam de suas redomas seguras e segurem nas mãos das viúvas, dos órfãos, dos pais e mães que perderam seus filhos porque uma bala de fuzil se perdeu. Talvez percebam que este manto de tranqüilidade que conforta suas noites de sono cobre apenas os seus pés, deixando milhares à mercê do medo e do abandono. Medo de sair de casa, de trabalhar, de conviver. De viver em uma nação onde súditos corações clamam por paz em meio a um reinado de guerras. Quantos já morreram nos bairros ou nas favelas, seja nas ruas e vielas, ou no ventre do próprio lar, vítimas da insegurança, pois os investimentos nunca chegam onde deveriam chegar. Ouçam além do motor de seus carros blindados, o hino dos desesperados, que sai pelas frestas das janelas lacradas com grades e cercas farpadas.

Será que é tão difícil assim? Será que é pedir demais que vocês, seres políticos, trabalhem pelo menos um pouquinho que seja para o bem desta nação? Mas, se não puderem levar o Brasil a sério, mesmo depois de todos estes apelos, gostaria apenas lembrá-los de que se não quiserem fazer isto pelos doentes, nem pelas crianças, ou pelo povo em geral. Façam isso por vocês mesmos, pois se conseguirem superar a doença da corrupção que domina suas mesquinhas ambições, quem sabe ainda consigam resgatar sua própria humanidade e junto com ela a dignidade da nação.

8 comentários:

Santa disse...

Sara,

Surdos e mudos. Um País cheio deles.

Bjs

João Bosco disse...

Um desabafo e tanto.

Stella disse...

mais um dos poucos que ainda se indignam

DO disse...

Sinceramente eu duvido que esta corja mude,SARAMAR.
O cancer ja esta em estado adiantado.

Beijos e otima semana.

Ronald disse...

Enquanto o povo não acabar com a "profissão político" o que mais veremos é o assalto no bolso do povo. Só servem à isso mesmo...Boz semana

Ronald disse...

Enquanto o povo não acabar com a "profissão político" o que mais veremos é o assalto no bolso do povo. Só servem à isso mesmo...Boz semana

Flávio disse...

Belo texto, Saramar... pena que de nada adiante. Reza o provérbio que o tilintar do ouro ensurdece o coração... :(

O Árabe disse...

Continuaremos a protestar. Ainda que as nossas vozes se percam no deserto moral em que se tornou a classe política.