EU QUERO DEMOCRACIA ELEITORAL

A democracia brasileira, talvez por ser tão nova, tem características sui generis.

Em termos estruturais, uma delas é hoje, como foi antes, a inexistência de uma oposição coerente e responsável e de políticos efetivamente preocupados com a nação e decididamente empenhados no fortalecimento desta democracia.

Ainda pensando nas bases do regime democrático, é possível dizer que a democracia brasileira se caracteriza pela indigência intelectual dos políticos, independente do nível econômico ou da educação formal que receberam. Aliás, agora é fashion ser semi-analfabeto e massacrar, continuamente, “a última flor do lácio”, que nunca antes na história deste país, foi tão “inculta” (ou seja, que não é cultivada, como quis dizer o poeta).

Outros fundamentos da democracia, como ética e moral, não precisamos procurar aqui. Desde sempre, os políticos brasileiros se encarregaram de minar estas bases e não permitem (senão sob extrema pressão) que se erga um alicerce qualquer para fortalecê-los. Por isso, a democracia brasileira é representada por “podres poderes”. Por isso, os cidadãos são tratados, como objetos manipuláveis (ou seja, como imbecis), inclusive na legislação que, supostamente defende o regime democrático.

O congresso nacional, ironicamente chamado de “casa do povo”, é um paul onde submerge qualquer veleidade de que o país obedece a um sistema representativo do povo. Ali, só os seus integrantes se representam, uma vez que transformaram a tal “casa do povo” em imensa corporação cuja missão (como se diz hoje, na linguagem corporativa) é garantir o lucro por meio da venda das de consciências. À custa do erário, é claro.

Que democracia sobreviverá com estas bases?

Em consequência, no dia-a-dia eleitoral, a democracia brasileira também é uma farsa, onde nós, os cidadãos, representamos o papel de indigentes intelectuais (como nossos supostos representantes), de palhaços (como nos tratam nossos supostos representantes), de bobos (como nos querem nossos supostos representantes).

Neste arremedo de democracia eleitoral, eu sou um exemplo de imbecil, palhaça e boba. Veja:

1. Sou obrigada a votar, mesmo que os candidatos só despertem minha repulsa.

2. Tenho que pagar para ouvir um bando de incompetentes falando idiotices (ou mentiras) na televisão e no rádio, tentando me convencer de que irão me representar, quando eu sei muito bem que o objetivo de cada um é enriquecer às custas dos impostos que eu pago.

3. Não posso escolher meus candidatos porque uma multidão de partidos impõe a mim uma manada de incompetentes, falsos e pueris indivíduos. E eu ainda tenho que pagar para ver/ouvir/ler suas bobagens que não convencem nem ao Ataulfo, meu poodle.

4. Se eu ficar doida, e votar em algum destes candidatos a deputado, ele poderá ou não se eleito, independente do meu voto. O que vale é uma tal de proporcionalidade, ferramenta indecente que garante o poder dos partidos políticos (ou, como são conhecidos aqui, barracas de vender a vergonha na cara para quem pagar mais).

5. Os candidatos que querem os meus votos não podem falar nada que me interesse na televisão, que é o maior meio de comunicação neste atrasado país. Quando se trata de discutir projetos e propostas para que os cidadãos possam compará-las (mesmo que saibam que é tudo enganação), a lei eleitoral proíbe tudo. A lei eleitoral só permite que os candidatos enfeitem suas caras, vistam suas roupinhas chiques e mintam muito para os imbecis que irão escolher aqueles a quem irão sustentar por quatro ou oito anos.

6. Antes, eu podia rir dos humoristas que desancavam os candidatos e suas idiossincrasias ridículas. Hoje, não posso mais. Hoje é proibido tentar imitar os poderosos comediantes que ocupam o palco principal da nossa democracia e que rolam de rir dos cidadãos palhaços.

Que democracia é esta?

Do jeito que está, esta democracia só serve aos canhestros, ridículos e funestos ditadorezinhos instalados em cada recanto do Estado brasileiro.

3 comentários:

Anônimo disse...

Olá,

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Envie seu contato de email para o redemobiliza@gmail.com com o título: "Sou parceiro".

Contamos com você!

paschoal disse...

Infelizmente querer não é poder, minha estimada amiga. Bastava apenas que a urna eletrônica me fornecesse um recibo exibindo o nome do candidato em quem votei para que a pouca vergonha em curso começasse a melhorar. Acontece que nessa hipótese teríamos como comprovar uma fraude e é exatamente isso que elles temem.

Moita disse...

Uma verdadeira aula de democracia, português e alto estilo literário; tudo junto!

Eu deveria poder votar em Ataulfo. rsss

Já sei! Vai me dizer: você é um pândego. rss

1 cheiro no cangote.